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Mergulho No Japão – Coral Diving

Curso de Mergulho

CURSO DE MERGULHO T1/2017 / MARINHA DO BRASIL

DISCURSO DE FORMATURA C-ESPc-MG-EK-OF.
TURMA 01/2017

Nas profundezas mais recônditas da alma de um Mergulhador da Marinha há um brilho reluzente, que ilumina os olhos e ascende o coração, guiando-o através das profundezas. É a arma de ouro cuja paixão irradia calor para manter seu corpo aquecido, à parte da superfície, em um ambiente onde pedimos licença a Netuno para submergir. Duas carpas e um escafandro é o que trazemos no peito, esculpido no mais bruto metal, forjado sobre a tríade da honra, disciplina e competência. Vimos nossos corpos e mentes se adaptar a uma nova atmosfera, cuja pressão e ausência de ar, deixaram aos poucos de ser desafios e sim parte da nossa alma. Nossos pés se alongaram nas palas de longas nadadeiras, expandimos nossa caixa toráxica na forma de um novo pulmão de metal, e nossos rostos foram cobertos por uma robusta máscara negra para que pudéssemos desbravar o desconhecido. Foi um ano de abnegação da vida profana e dedicação exclusiva ao árduo trabalho de lapidação da pedra bruta a fim de se tornar um Mergulhador da Marinha do Brasil . Viemos de vários estados, (Paraíba, Bahia, Pará, Ceará, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul) deixamos o conforto de nossas casas, família e amigos em busca deste sonho.
Antes de chegar até aqui passamos por um rigoroso processo de seleção física e exames médicos, cerca de 120 inscritos, e o resultado dessa triagem foram 26 praças e 12 oficiais. Aprendemos que embaixo d´agua somos todos mergulhadores e após um período de adaptação, praças e oficiais convivem junto, dividem o mesmo alojamento, as mesmas tarefas e estão submetidos as mesmas regras, desde o capitão tenente mais antigo ao marinheiro mais moderno somos chamados de alunos.
Ninguém mergulha sozinho, por isso, ganhamos um DUPLA e seria ele que nos acompanharia o resto do curso, em uma preocupação mútua e ininterrupta, que ia desde o pé de cabelo até o brilho do sapato, em uma convivência intensa onde o fogo do CIAMA forjaria essas duas metades em um só corpo para que pudessemos trabalhar em plena sintonia, mesmo sob o frio e sombrio ambiente das águas profundas.
Aprendemos a mergulhar, resgartar, cortar e soldar embaixo d´água, reflutuar embarcações, mas nem um ensinamento foi tão significante quanto o de transformar os limites e barreiras físicas em linhas tênues, mantendo a calma e tranquilidade em situações adversas e sempre cumprir a missão.Nosso short é preto, e quando o céu está cinza e os raios rasgam os céus em tempestade com ventos que chaqualham as águas, as pessoas se abrigam e os barcos regressam aos portos, nós saímos para o mar.
Nos desculpamos aos familiares e amigos, nessas linhas escassas, decorrentes de nossa ausência este ano. Em especial, nossas esposas e namoradas que nos apoiaram fielmente, oferecendo seus zelos e cuidados com alguma enfermidade ou ainda ajudando a tirar as manchas dos uniformes, mesmo sem entender as diversas vezes em que a mesa do jantar ficou vazia. Não esperamos nenhuma manifestação de gratidão, não aguardamos aplausos ou reconhecimento, fomos voluntários, aprendemos a trabalhar no escuro e os holofotes são meros artigos de luxo que não fazem diferença em nossa atividade. Quantos kilometros nós corremos? Quanto nadamos? Quantas flexões pagamos? No âmago de nossas emoções e sonhos, isso já não interessa, somos vencedores. Uma turma de 16 mergulhadores que se mantém em um elo coeso, como uma família cuidando um do outro.
A satisfação de fazer uma atividade única, salvar vidas, contemplar um trabalho bem feito ,voltar pra casa, e abraçar os familiares é a nossa maior recompensa. Agradecemos aos instrutores pelos conhecimentos transmitidos, especialmente este ano, que contou com uma equipe de estrelas, minunciosamente selecionados, entregando para esta nação o melhor que a Marinha do Brasil poderia oferecer. Ninguém chega aqui como mergulhador profissional, e se não fosse a persistência e o trabalho árduo de alguns deles, provavelmente essa turma seria bem menor. No dia de hoje consolidamos nossa conquista, cravando no peito, próximo ao coração, o tão esperado brevê, materializando um sonho e um ano de sacrifício e superação extrema. Receberemos também um número cunhado em nossa moeda que representa a identidade dos que já passaram por aqui, nos eternizando como imortais!
Por fim, nós, Mergulhadores da Marinha, reafirmamos ainda o ensinamento imutável da fé, aproximando-se da face de Deus

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